Tipos de Redação

Caros leitores,
como há pedidos de esclarecimentos sobre
redação, dou aqui algumas dicas rápidas sobre o tema.
Para redações de concursos (e vestibulares), em geral
se trabalham com três tipos de redação:
Descrição, Narração e Dissertação.

Na Descrição, naturalmente, o que se exige
é descrever algo, ou seja, fazer uma representação
escrita do objeto da mesma, seja um lugar, uma
situação, uma pessoa ou uma coisa.
É como fazer uma fotografia do objeto
focalizado. Se for feita de forma mais literária,
pode-se fazer uma interpretação do objeto,
para além da mera descrição técnica,
dando as impressões do autor da redação.
Neste caso, a capacidade de observação
e de retratar detalhes é muito importante.
Em literatura, posso citar alguns romancistas
famosos por sua capacidade descritiva
e que servem de modelo para boas descrições:
o francês Honoré de Balzac foi um mestre nisso;
no Brasil, escritores como Manuel Antônio de Almeida,
Aluísio de Azevedo e Raul Pompéia possuem essa

habilidade, bem como Machado de Assis em seus primeiros romances.
Em suma, escritores dos Movimentos
Literários conhecidos como Realismo e Naturalismo.
Nesse tipo de escrita também é importante
ressaltar que ela pode ser objetiva (técnica) ou subjetiva

(pessoal), ou as duas mescladas.

Muitos dos livros dos escritores citados

podem ser encontrados na página Domínio Público.

*****

Vamos então ao segundo tipo de redação: a Narração.

Narrar quer dizer contar alguma coisa, um fato ou um acontecimento,

a alguém, neste caso, de forma escrita.

Quando narramos algo, necessariamente estamos

falando de alguma coisa que aconteceu, ou que está acontecendo.

Portanto, predominarão os verbos de ação.

Aqui temos de considerar o foco da nossa narração,

o que ele é, qual o fato ou acontecimento,

de que forma isso ocorreu, com quem,

quando e porque. E quais os desdobramentos disso.

Assim, se exige uma boa capacidade de organização

ou ordenação do conteúdo a ser transmitido,

implicando também em boa interpretação dos fatos,

bem como do uso da imaginação, se necessário.

Pode-se usar o tempo cronologicamente,

do passado em direção ao presente e futuro,

ou um tempo psicológico, determinado pelo autor.

Também é preciso considerar o ponto de vista

de quem está narrando a estória/história,

se é em primeira pessoa (alguém que conta a própria estória),

ou em terceira pessoa (quando se conta a estória de outrem).

Há muitos romancistas famosos por suas narrações,

como é o caso do próprio Machado de Assis,

com seus romances clássicos (Memórias Póstumas de Brás Cubas,

Quincas Borba, Dom Casmurro),

ou Mme. Bovary, do escritor francês Gustave Flaubert.

*****

E agora o terceiro e último tipo de redação citado: a Dissertação.

Neste tipo de escrita, se desenvolve um enunciado sobre um tema.

Aqui também a capacidade de organização e ordenação de informações

é importante, bem como sua interpretação.

Mas diferentemente da Descrição e Narração,

o que se exige aqui é a habilidade de expor e argumentar

sobre um assunto, tecendo considerações favoráveis

ou desfavoráveis a ele, até se chegar a uma conclusão.

Tanto isso é verdade que uma Dissertação é composta

de três partes:

a) a Introdução, onde se expõe brevemente o tema tratado;

b) o Desenvolvimento, onde são expostas as ideias sobre o assunto,

ou se argumenta a favor ou contra;

c) a Conclusão, em que se enuncia a resposta a uma pergunta proposta

ou o ponto de vista final do autor sobre

o objeto da argumentação,

em que ele toma uma posição diante do que foi

discutido. Neste tipo de escrita predominam

o uso de dados ilustrativos para apoiar os argumentos

e o raciocínio lógico.

Editoriais de jornais são bons exemplos

de textos argumentativos e opinativos.

*****

Indicação bibliográfica:

Novo Manual de Português, de Celso Pedro Luft.

O Prof. Luft foi um grande Mestre da Língua Portuguesa,

e sempre serei grato a ele por suas inumeráveis lições de língua

e literatura, que estão disponíveis a todos através de suas várias obras.

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