Sobre versificação em língua portuguesa (11)

Como dissemos na introdução, depois dos hendecassílabos, temos os versos dodecassílabos, ou alexandrinos. Esses versos nasceram na França e são os mais populares nesse país. E foram naturalmente assimilados pelos poetas de língua portuguesa, por esses versos serem muito expressivos, principalmente em sonetos. Em geral, os dodecassílabos tem uma forma clássica e outra romântica. Na clássica, a acentuação forte recai na sexta (final do primeiro hemistíquio ou meio-verso) e décima segunda sílabas. Na forma romântica, há uma liberdade de combinações de acentuação, com variação inclusive na cesura central, ou pausa interna, que marca o final do primeiro hemistíquio (há quem diga que esse verso é uma combinação de dois versos de seis sílabas). É nesse verso que se dá mais comumente o chamado enjambement, ou cavalgamento, que significa que a unidade de sentido do verso não termina no final da linha, e ele precisa ser continuado na linha seguinte, embora ritmicamente ele termine na décima segunda sílaba. Desta medida em diante, ou seja, versos de treze sílabas ou mais não tem nome específico, e são considerados como combinações de versos menores.

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Sobre versificação em língua portuguesa (10)

Vamos agora abordar os versos hendecassílabos, ou seja, de onze sílabas métricas (contadas em português até a última sílaba tônica de cada linha). Este verso é de origem galego-portuguesa, ou seja, é natural de nossa língua. Tradicionalmente, é acentuado na quinta e décima – primeira sílabas ou na segunda, quinta, oitava e décima – primeira. É claro que ele não pode competir com o decassílabo em termos de popularidade entre poetas e leitores, mas tem seu valor histórico marcado. Vamos observar dois poemas de Casimiro de Abreu e Castro Alves.

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Sobre versificação em língua portuguesa (9)

Finalmente, chegamos aos versos decassílabos. Bem como os heptassílabos, os decassílabos são os versos mais naturalmente produzidos em nossa língua pátria. De Luis Vaz de Camões a Fernando Pessoa, de Gregório de Mattos a Vinícius de Moraes, nossos grandes poetas expressaram nossa alma em decassílabos. Não há nada melhor do que conviver na presença desses autores ilustres. Sobre a acentuação rítmica, existem as clássicas combinações: na quinta e na décima sílabas, na sexta e na décima, na quarta, oitava e décima sílabas, na quarta, na sétima e na décima, na quarta e na décima, e outras variações introduzidas pelo modernismo. O melhor mesmo é ler cada poema e descobrir sua acentuação.

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Sobre versificação em língua portuguesa (8)

Neste artigo, o oitavo desta série sobre versificação em língua portuguesa, apresentamos exemplos de versos eneassílados, que são os versos mais cantantes em nossa língua, tradicionalmente acentuados na terceira, sexta e nona sílabas métricas que, como todos sabem, são contadas até a última sílaba tônica do verso, em português. Podem acontecer variações também, com acentuação, por exemplo, na quarta, sexta e nona sílabas.

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Sobre versificação em língua portuguesa (7)

Passamos agora aos versos octossílabos ou octossilábicos.  Eles são acentuados tradicionalmente nas quarta e oitava sílabas. Mas há variações de acentos, como por exemplo na quinta e oitava, na segunda, sexta e oitava ou na terceira, sexta e oitava sílabas métricas. Vejamos alguns poemas escritos em versos octossilábicos, que não são muito populares. A genial e singela Cecília Meireles (1901-1964) nos mostra sua maestria com esses versos no poema “O Enorme Vestíbulo”, do seu livro Retrato Natural, de 1949.

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Sobre versificação em língua portuguesa (6)

Chegamos finalmente aos versos heptassílabos, que perfazem a redondilha maior, forma mais natural em nossa língua, junto com os decassílabos. Como esses versos são os mais freqüentes, há uma grande quantidade de poetas que escrevem nesse metro, que é extremamente cantante. Exemplos desses versos são muito fáceis de encontrar. A acentuação tradicional recai nas sílabas segunda, quinta e sétima, ou terceira, quinta e sétima, com variações.

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Sobre versificação em língua portuguesa (5)

Tratamos agora dos versos hexassílabos ou hexassilábicos, que não são muito comuns em língua pátria, pois nossos poetas preferem as redondilhas e os decassílabos. Estes versos são acentuados em geral na terceira e sexta sílabas, mas podem também ser acentuados na primeira, quarta e sexta sílabas. Também podem ocorrer variações (segunda e sexta sílabas), mas a acentuação na sexta sílaba é necessariamente fixa, para estabelecer esse metro, bem como em alguma outra anterior, menos a quinta. Como já falamos, o que caracteriza o verso é exatamente a repetição de padrões rítmicos. Para quem gosta do termo anapéstico, o verso hexassilábico com acentuação na terceira e sexta sílabas pode ser visto como duas unidades de anapestos. Vamos aos exemplos.

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Sobre versificação em língua portuguesa (4)

Neste artigo sobre noções de versificação em língua portuguesa brasileira, vamos abordar os pentassílabos, ou versos pentassilábicos, também chamados popularmente de redondilha menor. A acentuação recai normalmente na segunda sílaba e, claro, na quinta. O poeta que vem nos mostrar sua maestria também nessa medida poética é Gonçalves Dias, desta vez com a seção IV do seu I-Juca Pirama, que é um poema épico em estilo indianista. Este poema relata a estória de um índio Tupi que é aprisionado pelos Timbiras, e que será sacrificado por estes. Nesta parte do poema, o guerreiro pede por sua vida porque prefere manchar sua honra de guerreiro para poder cuidar do pai. Acredito que não é preciso separar graficamente as sílabas, pelo fato do ritmo estar super bem marcado neste poema.

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