Próclise, ênclise e mesóclise

Caros leitores,

como foi sugerido pelo comentário de um visitante, escrevo um artigo sobre este assunto. Os três fenômenos de nossa língua portuguesa mencionados no título deste artigo indicam que nenhuma palavra pode interpor-se entre os pronomes oblíquos átonos e os verbos.

Pra começar, vamos aos pronomes oblíquos átonos: me, te, lhe, o, a, se, nos, vos, lhes, os, as, se.

Os termos do título também indicam a posição dos pronomes em relação aos verbos.

Deste modo, a próclise é o aparecimento de um pronome oblíquo átono antes (ou diante, à esquerda) do verbo:

me chamaste

me chamou

me chamastes

me chamaram

***

te amei

te amaste

te amou

te amamos

te amastes

te amaram

Todas as conjugações verbais permitem próclise. Embora condenada por gramáticos, a próclise é utilizada em larga escala pelos brasileiros, inclusive no início de períodos ou orações, quando esse uso não é aconselhado.

Que Deus então nos perdoe por isso, que é coisa que não se faz, ou pelo menos não se devia fazer. Entretanto, esse tipo de coisa é determinada pelo uso dos falantes, e não por burocratas da língua dentro de escritórios vedados à ventilação natural. Assim, sigamos a evolução natural da língua nos trópicos.

Um último detalhe: mesmo que existam numa frase advérbios antes do verbo, os pronomes continuam junto ao verbo: ela não me viu; eu quase o derrubei; me avise quando lhe falar; nunca nos cobraram esse conta, etc.

***

Em seguida, temos a ênclise, ou seja, a colocação dos pronomes oblíquos átonos depois dos verbos, ou seja, à direita deles na escrita! Perdoem-me o excesso de detalhe, mas nunca se sabe quem está lendo o artigo! E se houver um estrangeiro ou asiático, cuja escrita se organiza na página ao contrário da nossa? Outro dia havia uma senhora asiática lendo este blog!

Exemplos de ênclise (que não é utilizada no particípio e nem nos tempos Futuro do Presente e Futuro do Pretérito):

liguei-te

ligaste-me

ligou-me

ligastes-me

ligaram-me

***

Falei-lhe

Falaram-lhe

***

Quando a ênclise ocorre entre os pronomes o, a, os, as com verbos terminados em r, s ou z, os verbos perdem a última letra, a acentuação é feita de acordo com as regras normais da língua e os pronomes se transformam em lo, la, los, las.

Exemplos:

Vou chamá-lo.

Você precisa escutá-la.

“Fi-lo porque qui-lo” (a famosa frase do Janio Quadros, ou seja: o fiz porque o quis).

Não vá perdê-los.

Nem vá feri-las.

Gostaria de conhecê-las.

***

Agora, quando os verbos são terminados em m, õe ou ão, ou seja, terminam em sons nasais, os pronomes o, a, os, as se transformam em no, na, nos, nas:

Exemplos:

Chamem-no.

Socorram-no rápido.

Peguem-na.

Cerquem-nas.

Tomem-nos.

Põe-na em contato comigo.

***

Finalmente, a mesóclise, ou seja, a colocação do pronome oblíquo átono no meio do verbo. Isso acontece nos tempos Futuro do Presente e Futuro do Pretérito do Indicativo.

Outra frase do Janio Quadros é exemplo disso, ao responder porque gostava de beber:

“Bebo porque é líquido, se fosse sólido, comê-lo-ia.”

Ajudar-te-ei.

Fá-lo-ia.

Se eu pudesse, amá-la-ia (estas duas últimas são pra brincar com a cacofonia).

Dir-te-ei o que penso.

***

Exemplos no Futuro do Presente:

Escrever-te-ei.

Cansar-te-ás.

Queixar-se-á.

Deitar-nos-emos.

Aproveitar-vos-eis.

Arrepender-se-ão.

***

Exemplos no Futuro do Pretérito:

Cantá-la-ia.

Assobiá-la-ias.

Zangar-se-ia.

Mandar-nos-íamos.

Liberar-vos-íeis.

Rebelar-se-iam.

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