O que é metalinguagem?

Segundo a definição do dicionário Aurélio, metalinguagem é a “linguagem utilizada para descrever outra linguagem ou qualquer sistema de significação: todo discurso acerca de uma língua, como as definições dos dicionários, as regras gramaticais, etc.”

Por exemplo, a chamada NGB, ou Nomenclatura Gramatical Brasileira, faz exatamente esse trabalho metalingüístico de nomeação e descrição da nossa língua com relação à fonética, morfologia e sintaxe.

Hoje em dia o significado de metalinguagem está ainda mais expandido; uma metalinguagem pode ser usada para descrever qualquer outra linguagem, como por exemplo as linguagens no campo da informática.

Mais exemplos: o verbo correr significa apressar-se, mover-se com rapidez; corro é a primeira pessoa do singular do presente do indicativo deste verbo (análise morfológica dessa forma verbal).

Substantivo é uma palavra ou nome que denomina um ser, um objeto, uma qualidade, ou estado de alguma coisa.

E assim por diante. Basta abrir uma gramática e estudar qualquer parte dela para ver que as descrições são a metalinguagem na prática.

Quando tratamos de obras literárias, também usamos termos para analisá-las e descrevê-las, como romance, novela, conto, estórias, epopéias, e vários outros tipos de poemas:  odes, elegias, baladas, rondós, etc, como podemos ver em nossa série sobre versificação em língua portuguesa.

Há uso de metalinguagem inclusive quando um poeta escreve um poema para falar de como se faz um poema. Como é o caso de João Cabral de Melo Neto em seu poema Catar Feijão, do livro A Educação Pela Pedra, de 1965:

1.

Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

2.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.

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