Manipanso e factótum

Hoje me lembrei de duas palavras incomuns, que julguei merecerem um lugar na seção de palavras esdrúxulas.

A primeira é manipanso, que li muitas vezes no poema “Esta Velha Angústia”, de Álvaro de Campos (um dos grandes heterônimos de Fernando Pessoa, e um de meus poetas preferidos até hoje):

[…]

“Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?

Estala, coração de vidro pintado! “

Manipanso

É um ídolo africano, ou um fetiche / feitiço (objeto animado ou inanimado, natural ou artificial, que pode ser usado para culto e ao qual se atribui poder sobrenatural).

Este termo também designa um indivíduo baixo e muito gordo.

O Novo Aurélio registra a grafia manipanço.

Factótum

Um factótum é simplesmente um faz tudo. Ou seja, é uma pessoa encarregada de todas as tarefas de outra (um empregado que faz todos os trabalhos do chefe, por exemplo).

Por consequência, um factótum se torna uma pessoa indispensável, imprescindível.

Daí, para o sujeito se considerar o tal, é um passo (capaz de fazer ou resolver tudo).

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Manipanso e factótum

Um pensamento em “Manipanso e factótum”

  1. Factótum na realidade vem do latim, e poucas pessoas a usam de fato. É a contração do verbo latino ‘fazer’ com o substantivo que significa ‘tudo’.
    Dificilmente se escutará esta palavra em uma conversa com um brasileiro.

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