Funções da linguagem: o esquema de comunicação verbal

No artigo “Comunicação na Poesia de Vanguarda”, incluído no livro A Arte no Horizonte do Provável (1977), Haroldo de Campos descreve seu “Esquema de comunicação verbal“, no qual ele nos dá os “Fatores e funções da linguagem” (1977, pp.136-143). Resumidamente, o “esquema de comunicação” é o seguinte: um emissor / emitente envia uma mensagem para um recebedor / destinatário; toda mensagem tem seu emissor e recebedor / destinatário; a mensagem se refere  a “um objeto ou situação“; naturalmente, para que a mensagem seja enviada e entendida pelo destinatário, deve haver um “código comum” entre eles e também um contato, um meio de conectá-los; assim, temos neste contexto os seis “fatores” que operam na transmissão de uma mensagem.

Cada um deles produz uma “função da linguagem“. Essas funções podem aparecer em várias combinações, dependendo da situação. O que nos interessa aqui são as seis funções mencionadas. A primeira: a função “emotiva” ou “expressiva”, porque ela expressa as emoções e reações e atitudes do emissor. O emissor é também caracterizado como um “codificador” de mensagens, já que ele usa um código comum para emitir seus sentimentos /pensamentos.

Quando a atividade de comunicação está “centrada no destinatário”, segunda função da linguagem, ela tem uma função “conativa”, o que significa que ela expressa desejo, vontade, impulso em direção à segunda pessoa do discurso, o “tu” ou “você”. Esta função corresponde na gramática ao imperativo e vocativo, além de ter uma função de encantamento ou mágica, conforme ela exerce poder sobre a outra pessoa.

A terceira função da linguagem é a “cognitiva”, centrada sobre um contexto, um ponto de referência. A mensagem “denota” (denotar é querer dizer algo literalmente) coisas concretas ou “transmite conhecimentos” sobre um “determinado objeto”.

a quarta função da linguagem, chamada de “função fática“, indica as expressões utilizadas para estabelecer ou interromper a comunicação, mais do que expressar idéias; nesta função, expressões como “Olá”, “Como vai”, “Claro”, “bem”, etc., são as mais usadas.

A próxima função, a quinta, é a “função metalingüística”, na qual o fator importante é o “código”, que “é o sistema que estabelece um repertório de signos [unidades lingüísticas que ligam o significante, um grupo de letras, ao seu significado, que é o sentido atribuído ao significante] e suas regras de combinação”. O fato importante aqui é que nesta função a mensagem é dirigida para outra mensagem, como verbetes em um dicionário, ou seja, é uma linguagem utilizada para falar de outra linguagem. Se combinada com a função cognitiva, por exemplo, esta função pode ser expressada através de “crítica literária”, pois neste tipo de trabalho o crítico está analisando uma obra de arte manifestada numa forma escrita.

Finalmente, a sexta função, que é a “função poética”, na qual a mensagem “se volta sobre si mesma”, para seu “aspecto sensível, para sua configuração”. Assim, na poesia ou na prosa criativa ou inventiva, esta função tem uma posição dominante, assim como em letras de música ou poesia popular. E quando esta função é combinada com a função metalingüística, por exemplo, elas aparecem em contextos em que o poeta ou escritor está criticando seu próprio ato de escrever textos criativos, isto é, literários, sejam eles em forma de poesia ou romance.

(Fonte: tese de doutoramento de Gentil Saraiva Jr., o Mr. Kind)

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