Sobre versificação em língua portuguesa (4)

Neste artigo sobre noções de versificação em língua portuguesa brasileira, vamos abordar os pentassílabos, ou versos pentassilábicos, também chamados popularmente de redondilha menor. A acentuação recai normalmente na segunda sílaba e, claro, na quinta. O poeta que vem nos mostrar sua maestria também nessa medida poética é Gonçalves Dias, desta vez com a seção IV do seu I-Juca Pirama, que é um poema épico em estilo indianista. Este poema relata a estória de um índio Tupi que é aprisionado pelos Timbiras, e que será sacrificado por estes. Nesta parte do poema, o guerreiro pede por sua vida porque prefere manchar sua honra de guerreiro para poder cuidar do pai. Acredito que não é preciso separar graficamente as sílabas, pelo fato do ritmo estar super bem marcado neste poema.

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Sobre versificação em língua portuguesa (3)

Continuando com nossa exemplificação, vamos estudar agora versos trissilábicos, ou trissílabos. Há estudiosos do assunto que chamam o verso trissílabo de anapéstico, que seria em português um pé, ou parte de verso, com duas sílabas átonas e uma terceira tônica, ou duas breves e uma longa, em termos de duração ou quantidade (de som). A questão é que os versos em nossa língua não usam a duração das sílabas como base dos pés ou unidades rítmicas, como é o caso do latim e do grego. O próprio Ezra Pound, um dos maiores poetas do século XX, reconheceu a mudança da base quantitativa das línguas antigas para a base silábica (no português) ou acentual-silábica (no inglês). Particularmente, prefiro trabalhar com poesia em nossa língua com o que lhe é peculiar, ou seja, o metro tradicional com seus padrões de acentuação, em vez de dificultar ainda mais importando termos típicos da poesia de outras línguas, que devem ser estudados aplicados a elas. Como sempre, me alio a Pound para dizer: prestem atenção ao som do verso, para saber se a seus ouvidos ele soa bem.

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Sobre versificação em língua portuguesa (2)

Conforme falamos na parte teórica, os versos em português variam de uma a doze sílabas métricas, ou poéticas, contadas até a última sílaba tônica. Já os versos de mais de doze sílabas são uma combinação entre versos menores. Há também quem advogue que não devemos contar as sílabas poéticas até a última tônica, mas sim todas as sílabas do verso. No nosso caso, preferimos seguir a tradição e contar as sílabas até a última tônica.

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Sobre versificação portuguesa / brasileira

Caros leitores e estudantes em geral, como falei no artigo sobre o Enem, nosso blog traz informações sobre nossa língua de várias maneiras, incluindo gramática, vocabulário, redação e poesia. Tratarei a versificação em língua portuguesa em vários artigos. Neste primeiro, escrevo sobre a parte teórica, abordando os tipos de versos que existem em nossa língua. Nos próximos, darei exemplos de cada tipo de verso.

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Funções da linguagem: o esquema de comunicação verbal

No artigo “Comunicação na Poesia de Vanguarda”, incluído no livro A Arte no Horizonte do Provável (1977), Haroldo de Campos descreve seu “Esquema de comunicação verbal“, no qual ele nos dá os “Fatores e funções da linguagem” (1977, pp.136-143). Resumidamente, o “esquema de comunicação” é o seguinte: um emissor / emitente envia uma mensagem para um recebedor / destinatário; toda mensagem tem seu emissor e recebedor / destinatário; a mensagem se refere  a “um objeto ou situação“; naturalmente, para que a mensagem seja enviada e entendida pelo destinatário, deve haver um “código comum” entre eles e também um contato, um meio de conectá-los; assim, temos neste contexto os seis “fatores” que operam na transmissão de uma mensagem.

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